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A mente e a comida: por que nossas escolhas alimentares vão além da fome

Foto do escritor: AREV
AREV
21 de set.
6 min de leitura

Se comer fosse apenas uma questão de necessidade, seria simples. O corpo sinalizaria fome, a gente comeria o suficiente para repor a energia, e pronto. Mas qualquer mulher sabe, pela própria experiência, que não é bem assim que funciona. A gente come quando está feliz e quando está triste, come para comemorar e para se acalmar, come porque bateu uma vontade no fim do dia mesmo sem fome, come no automático enquanto resolve mil coisas, come para dar conta de uma emoção que não encontrou outra saída. As nossas escolhas alimentares vão muito além da fome, e entender isso é uma das chaves mais importantes para construir uma relação mais leve e mais saudável com a comida.


comer além da fome

Existe uma ideia muito difundida, e muito injusta, de que comer bem é só uma questão de força de vontade. Quem não consegue seguir um plano, quem come demais, quem não sustenta as mudanças, é rotulada como indisciplinada, sem controle, fraca. Mas a verdade é que as nossas escolhas alimentares são moldadas por uma quantidade enorme de fatores que não têm nada a ver com falta de vontade, e sim com o nosso estado interno, a nossa rotina, as nossas emoções e a forma como vivemos. É disso que este texto trata: de como a mente, o cansaço, as emoções e os hábitos influenciam o que colocamos no prato, muitas vezes sem que a gente perceba.



Comer vai muito além da fome física


A fome física é apenas um dos motivos pelos quais comemos, e talvez nem seja o mais frequente no dia a dia. Existe a fome física, que é a necessidade real de energia, aquela que o corpo sinaliza quando precisa de combustível. Mas existe também tudo o que leva a comer sem que haja essa necessidade fisiológica: o hábito, a emoção, o prazer, a companhia, o tédio, o estresse, a recompensa, o conforto.


Nenhum desses motivos é errado ou patológico por si só. Comer é um ato humano, social e afetivo, e faz parte da vida sentir prazer com a comida, celebrar à mesa, buscar um conforto em um alimento querido de vez em quando. O problema não é comer por outros motivos além da fome, o problema é quando a gente faz isso no automático, sem perceber, sem escolha real, de uma forma que deixa de nutrir e passa a pesar. E o primeiro passo para mudar isso não é se controlar mais, é entender melhor o que de fato está por trás das próprias escolhas.


O estado interno molda o que a gente come


Aqui está o ponto central, e é onde mora a diferença entre se culpar e se entender. As nossas escolhas alimentares são profundamente influenciadas pelo nosso estado interno, por como a gente está se sentindo e vivendo naquele momento. Não é coincidência que seja tão mais difícil comer bem nos dias corridos, estressados e cansados, e mais fácil nos dias em que a gente está tranquila e presente.


Quando a mente está sobrecarregada, acelerada, sem pausa, o cérebro tende a operar no modo automático, e as decisões alimentares passam a ser tomadas por impulso, sem a participação da parte mais consciente e reflexiva. É por isso que, depois de um dia exaustivo, a vontade de comer algo rápido, doce ou reconfortante aparece com tanta força, não é fraqueza, é um cérebro cansado buscando a recompensa mais fácil e imediata. O cansaço, o estresse e a falta de pausa reduzem a nossa capacidade de fazer escolhas alinhadas com o que a gente realmente quer, e aumentam a probabilidade de comer no automático.


As emoções também participam diretamente dessa equação. A comida tem um poder real de regular emoções, de trazer conforto, de aliviar a tensão, e por isso é tão comum recorrer a ela em momentos de ansiedade, tristeza, frustração ou solidão. Esse comer emocional não é um defeito de caráter, é uma estratégia que o cérebro aprendeu porque funciona, ao menos no curto prazo. O que acontece é que, quando essa se torna a principal forma de lidar com as emoções, ela deixa de servir e passa a gerar um ciclo de culpa e desconexão. Entender esse mecanismo, com acolhimento e não com julgamento, é o que abre espaço para construir outras formas de cuidado.


Por que não é falta de força de vontade


Quando entendemos que as escolhas alimentares são moldadas pelo estado interno, pela rotina e pelas emoções, fica claro por que a lógica da força de vontade falha tanto.


Força de vontade é um recurso limitado, que se esgota ao longo do dia, especialmente quando a pessoa está cansada, estressada e sobrecarregada, justamente as condições em que mais precisaria dela. Contar apenas com a disciplina para comer bem é como tentar segurar uma porta que o vento empurra o tempo todo: cansativo, insustentável e fadado a falhar em algum momento.

A mudança real não vem de mais controle, vem de mudar as condições que levam às escolhas. Uma pessoa que dorme melhor, que cria pausas no dia, que reduz o estado de sobrecarga, que organiza a rotina e o ambiente a seu favor, naturalmente faz escolhas alimentares melhores, sem precisar lutar contra si mesma a cada refeição. É muito mais eficaz cuidar do estado interno e do contexto do que tentar, pela força, resistir aos impulsos que esse estado gera. Por isso, na prática, cuidar da alimentação passa por cuidar do sono, do estresse, da rotina e da relação com as próprias emoções, e não apenas do prato.


Vale um exemplo concreto, do tipo que aparece no consultório. Uma mulher que chega da academia muito agitada e, por causa dessa agitação, come demais à noite, não tem um problema de disciplina. Ela tem um estado (a agitação, a frequência cardíaca alta, o corpo ainda em alerta) que está moldando uma escolha (comer demais). A solução não é ela se cobrar mais, é criar uma transição entre o treino e a refeição, um banho, um tempo para o corpo desacelerar, para que ela chegue à mesa em outro estado. Muda o estado, muda a escolha. Esse é o princípio.


Hábitos: o que a gente repete sem decidir


hábitos que impactam no comer

Grande parte do que comemos não é nem fruto de uma decisão consciente, nem de uma emoção, é simplesmente hábito, aquilo que a gente repete tantas vezes que vira automático. O lanche sempre no mesmo horário, o docinho depois do almoço, o beliscar enquanto cozinha, a forma de montar o prato. Os hábitos são poderosos porque economizam energia mental, o cérebro automatiza o que é repetido para não precisar decidir tudo o tempo todo.


Mudar hábitos alimentares, por isso, não é uma questão de saber o que é certo, a maioria das pessoas sabe. É uma questão de reconstruir padrões, com paciência e com estratégia, respeitando como o cérebro aprende, que é pela repetição e pela consistência, não pela intensidade de um esforço pontual. Tentar mudar tudo de uma vez costuma falhar, enquanto pequenas mudanças sustentadas ao longo do tempo se consolidam e passam a funcionar no automático a favor da saúde.


Entender a própria relação com os hábitos, perceber os gatilhos e os padrões, é parte essencial de transformar a alimentação de forma que se sustente.


Entender para cuidar, não para se culpar


Tudo isso aponta para uma mesma direção: a relação com a comida é muito mais rica e mais complexa do que a simples conta de calorias ou de força de vontade, e é justamente por isso que ela merece ser olhada com profundidade e com gentileza. Quando a gente entende que as escolhas alimentares são moldadas pelo estado interno, pelas emoções e pelos hábitos, a culpa dá lugar à compreensão, e a compreensão abre caminho para a mudança real.


Isso não significa que tudo é emocional ou que a alimentação não precisa de direção. Significa que o cuidado com a comida precisa considerar a pessoa inteira, o corpo, a rotina, as emoções, o contexto de vida, e não apenas o que ela deveria ou não deveria comer. É dessa forma que se constrói uma relação com a comida que nutre sem adoecer, que tem prazer sem culpa, e que se sustenta porque parte de quem a pessoa é e de como ela vive, e não de uma luta constante contra si mesma.



O PAPEL da AREV nAS ESCOLHAS ALIMENTARES


Na AREV, entendemos que a alimentação não se resolve apenas no prato, porque as nossas escolhas alimentares são moldadas pelo nosso estado, pelas nossas emoções, pela nossa rotina e pelos nossos hábitos. Por isso, o cuidado com a comida precisa olhar para a pessoa por inteiro, compreendendo o que está por trás das escolhas em vez de apenas prescrever o que fazer. É assim que a transformação deixa de ser uma luta contra a força de vontade e passa a ser um caminho possível e sustentável.


No programa integrado da AREV Health, a Dra. Mariana Teixeira, nutróloga, e Verônica Gouvêa, nutricionista, trabalham juntas para cuidar da alimentação de forma individualizada, considerando não só o corpo e a fisiologia, mas também a relação da paciente com a comida, a sua rotina e os seus hábitos. Porque comer bem de verdade é muito mais do que saber o que comer, é construir uma relação com a comida que faça sentido para a sua vida.


Se você sente que a sua relação com a comida é feita de ciclos de controle e descontrole, de culpa e frustração, talvez o caminho não seja mais disciplina, e sim um olhar mais profundo e mais gentil sobre o que está por trás das suas escolhas.


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