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SOP agora é SOMP: o que muda e a importância de olhar para o todo

Foto do escritor: AREV
AREV
19 de out.
5 min de leitura

mulher com SOMP

Muitas mulheres recebem o diagnóstico de SOP de um jeito parecido: uma consulta rápida, um ultrassom, a explicação de que existe “um problema nos ovários” e, na maioria das vezes, a pílula como principal ou única conversa. Algumas saem com a sensação de que aquilo diz respeito apenas à

menstruação ou à fertilidade. Outras convivem há anos com o diagnóstico, controlando o ciclo, mas seguem lidando com cansaço, dificuldade de emagrecer, oscilações de humor, acne ou queda de cabelo, sem entender como tudo isso se conecta.


Em 2026, essa história ganhou um novo capítulo. A síndrome mudou de nome, e a mudança diz muito sobre a forma como ela precisa ser cuidada.


SOP agora é SOMP: o que muda com o novo nome


Em maio de 2026, a síndrome dos ovários policísticos foi oficialmente renomeada, a partir de um consenso global publicado no The Lancet, resultado de um processo de 14 anos com a participação de mais de 14 mil pacientes e profissionais de saúde. O novo nome, em inglês PMOS, chega ao português como síndrome ovariana metabólica poliendócrina, ou SOMP.


A razão da mudança é que o nome antigo contava apenas uma parte da história. Ele dava a entender que a condição era definida por cistos nos ovários, quando, na verdade, muitas mulheres com o diagnóstico não têm ovários policísticos, enquanto outras com ovários policísticos não se encaixam nos critérios da síndrome. O novo nome busca refletir que se trata de uma condição hormonal e metabólica que acompanha a mulher ao longo da vida, ligada a vários sistemas do corpo.


Cada palavra foi escolhida com intenção. Poliendócrina mostra que vários hormônios estão envolvidos, metabólica reconhece o papel central da insulina e do metabolismo, e ovariana mantém a relação com o ciclo e a fertilidade. O diagnóstico em si não muda: continua sendo necessário apresentar pelo menos dois de três critérios, ciclos irregulares ou ausência de ovulação, androgênios elevados e a aparência policística dos ovários no ultrassom. E como a transição é gradual, os termos SOP e SOMP ainda vão conviver por um bom tempo.


O que muda, de fato, é o olhar. A SOP deixa de ser vista como um problema localizado e passa a ser reconhecida como uma condição que envolve corpo, mente e estilo de vida, exatamente o que a prática clínica integrativa já observava.



O que acontece no corpo: hormônios, insulina e metabolismo


No centro da SOP existe uma conversa intensa entre hormônios. Em grande parte das mulheres, a resistência à insulina tem papel importante, inclusive naquelas que não estão acima do peso. Quando as células respondem pior à insulina, o corpo passa a produzir mais dela para manter a glicemia sob controle, e esse excesso de insulina estimula os ovários a produzirem mais androgênios, como a testosterona. São esses androgênios que, em boa parte, explicam a irregularidade do ciclo, a acne, o aumento de pelos e a queda de cabelo.


Esse mesmo mecanismo ajuda a entender por que tantas mulheres com SOP sentem que o corpo responde de forma diferente, com mais facilidade de acumular gordura na região abdominal, fome mais intensa e oscilações de energia ao longo do dia. E é também por isso que a nova nomenclatura destaca o lado metabólico, que acompanha a mulher muito além da fase reprodutiva e merece atenção contínua.


Alimentação e movimento como base do tratamento


As recomendações internacionais colocam alimentação, atividade física e comportamento como base do tratamento da SOP, ao lado do medicamento quando ele é indicado. E aqui o olhar nutricional faz muita diferença, porque o objetivo é melhorar a sensibilidade à insulina e reduzir a inflamação, e não seguir uma dieta da moda.
estilo de vida saudável no tratamento da SOP ou SOMP

Na prática, isso passa por refeições equilibradas, com proteína bem distribuída ao longo do dia, fibras de vegetais, leguminosas e grãos integrais, gorduras de boa qualidade, como azeite, castanhas e peixes ricos em ômega-3, e carboidratos escolhidos com consciência, acompanhados de proteína e fibra para evitar picos de glicemia. Reduzir ultraprocessados e açúcares ajuda, mas restrições extremas costumam ter o efeito contrário, aumentando o estresse e a desregulação da fome. O que funciona é uma alimentação individualizada, que caiba na rotina e que seja sustentável.


O movimento tem um papel igualmente importante. A musculação e o treino de força aumentam a massa magra, que é o principal tecido responsável por captar a glicose, e a atividade aeróbica melhora a sensibilidade à insulina e o condicionamento. Constância vale mais do que intensidade, e o melhor treino é aquele que a mulher consegue manter.


Por que a mente entra nessa conversa


A diretriz internacional sobre a síndrome recomenda que o cuidado inclua a atenção à saúde emocional, com olhar para ansiedade, depressão, imagem corporal e relação com a comida, que aparecem com mais frequência em mulheres com SOP. Isso mostra que o emocional não é um detalhe à parte do diagnóstico, ele faz parte do quadro.


Existe também uma via de mão dupla entre estresse e metabolismo. Quando o estresse se torna constante, o cortisol permanece elevado por mais tempo, e o cortisol alto piora a sensibilidade à insulina. Com mais insulina circulando, o ambiente hormonal que favorece os sintomas da SOP tende a se intensificar. Na prática clínica, é comum observar que fases de mais pressão, sobrecarga ou tensão emocional coincidem com períodos em que os sintomas e os exames oscilam mais, enquanto fases de mais equilíbrio costumam vir acompanhadas de melhora.


A relação com a comida entra aqui também, porque muitas mulheres chegam ao diagnóstico depois de anos de dietas restritivas, culpa e ciclos de descontrole, e reconstruir essa relação é parte do caminho.


Isso não significa que cuidar da mente cura a SOP, e é importante dizer isso com clareza. Significa que o estado emocional influencia o terreno hormonal e metabólico, e que olhar para ele potencializa todo o tratamento.


Por que a vida também entra


Sono, rotina e ritmo de vida também fazem parte do cuidado com a SOP. Noites mal dormidas reduzem a sensibilidade à insulina já no dia seguinte e aumentam a fome por alimentos mais calóricos, e distúrbios do sono são mais comuns em mulheres com a síndrome. Horários irregulares, pouca exposição à luz natural e refeições fora de ritmo desorganizam o relógio biológico, que regula justamente os hormônios envolvidos no quadro.


A fase da vida também importa. A SOP se manifesta de formas diferentes na juventude, no momento em que se planeja uma gestação ou na chegada da perimenopausa, e cada fase pede um olhar e uma estratégia próprios. Entender o momento que a mulher atravessa, a rotina que ela leva e o que acontece no dia a dia dela é o que permite construir um cuidado que realmente faça sentido.



O olhar da AREV NA SOP/SOMP


Na AREV Health, a SOP/SOMP sempre foi vista como aquilo que o novo nome agora reconhece oficialmente: uma condição que envolve o corpo inteiro e a vida que esse corpo sustenta. Por isso, o cuidado começa por entender quem é aquela mulher, o momento que ela vive, como está o seu sono, o seu nível de estresse, a sua relação com a comida e a sua rotina, além dos exames e dos sinais do organismo.


No Programa Integrado da AREV Health, esse cuidado é construído em conjunto, com a investigação clínica e hormonal caminhando lado a lado com a estratégia nutricional, o olhar para o comportamento e a adaptação à rotina real de cada paciente. A Dra. Mariana Teixeira, nutróloga, e Verônica Gouvêa, nutricionista, trabalham de forma integrada para unir essas frentes, investigando o que acontece no metabolismo e nos hormônios e construindo, junto com a paciente, estratégias que façam sentido para a vida dela. O medicamento, quando necessário, faz parte do caminho, e é a soma de todos esses cuidados que potencializa o tratamento e devolve qualidade de vida.


Se você convive com a SOP/SOMP e sente que o cuidado até aqui olhou apenas para uma parte de você, talvez seja o momento de olhar para o todo, com o apoio de quem enxerga você por inteiro.


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